Discussão
Aberta
:: PROFISSÃO
LIGHTING DESIGNER E LUMINOTÈCNICA
Qual a diferencia entre iluminação e luminotécnica?
Qual a diferença entre lighting design e architectural
lighting design? Qual a profissão daquele que realiza
projetos de iluminação? Qual órgão a regulamenta?
Gustavo Adolfo Meincke
Arquiteto
Blumenau - SC
Suas perguntas focalizam o âmago de nossa profissão
no momento atual. Parabéns! Em primeira instância
não existe total consenso nos conceitos deste
tema e, ao mesmo tempo, as definições
não estão totalmente sacramentadas.
Por praticidade vou inverter a ordem das respostas.
O órgão que deveria regularizar, já
que até agora não está, sem dúvida
é o CONFEA e, claro, com a participação
dos CREAs e consultando aos órgãos de
classe realmente representativos, se é que
eles existem. Dessa forma não está definida
a profissão que tenha como incumbência
o projeto de iluminação ou o projeto
luminotécnico, que, ainda que com sobreposições,
não são a mesma coisa como veremos no
final.
A diferencia entre lighting design e arquitectural
lighting design, apesar de serem utilizados indistintamente,
é simplesmente que a última, como seu
próprio nome o indica, tem como objeto o elemento
arquitetônico. Desta forma, tomando ao pé
da letra, o primeiro conceito deveria ser mais amplo,
ou seja, o iluminamento da arquitetura e também
de tudo o que não é arquitetura. Em
nosso país usamos mais freqüentemente
lighting design, e lógico que em 99% dos casos,
interagindo com o espaço arquitetônico
construído.
A questão mais importante, que continua dividindo
as opiniões dos que atuam nesta área,
reside na diferença entre iluminação
e luminotécnica. Para muitos, ainda, a iluminação
do espaço construído depende de um atributo
exclusivamente artístico, ou seja, atrelado
a um “dom”, que está totalmente
afastado de padrões de projetos e conceitos
físicos, biológicos, fisiológicos,
psicológicos, matemáticos, geométricos,
meteorológicos, etc.
Desta forma, acredita-se que a habilidade do uso da
luz num projeto arquitetônico por um lighting
designer surge espontaneamente como o uso das tintas
por um pintor, ou do lápis por um desenhista,
ou das notas por um compositor. Porém, as exigências
cada vez mais rigorosas em termos quantitativos, qualitativos,
distributivos, de adequação à
tarefa, e mais recentemente, avaliativos, provenientes
dos novos paradigmas de conforto visual, foto-biologia,
foto-psicologia, eficiência energética,
e, primordialmente, sustentabilidade, fazem que se
transcenda o aspecto puramente criativo para se fazer
uso de técnicas adequadas, dando lugar assim
ao conceito mais amplo da luminotécnica.
Veja que desta forma não se nega a importância
da “concepção” do aspecto
criativo e artístico, que é o que diferencia
um mesmo projeto de dois lighting designers diferentes,
porém torna necessária a validação
do projeto com técnicas de cálculo.
Técnicas estas que foram originalmente aplicadas
manualmente e, depois, com a crescente complexidade
das variáveis e o advento dos recursos computacionais
acessíveis ao grande público, transformadas
em softwares de cálculo e simulação
luminotécnica que é nossa realidade
atual.
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