Discussão Aberta

:: PROFISSÃO

Gostaria de saber quais os profissionais que têm capacitação técnica para fazer e assinar um projeto luminotécnico, engenheiro elétrico, engenheiro civil ou arquiteto?
Francisco Luiz Blasi
Engenheiro
Curitiba - PR


Por enquanto, a profissão de Lighting Designer não está regulamentada no Brasil. Sendo assim, tanto engenheiros, quanto arquitetos e designers podem realizar projetos luminotécnicos, dependendo tão somente de sua capacitação.
Tal capacitação não está sendo ministrada nos cursos regulares de formação profissional em nível de graduação, e tem sido normalmente fornecida em cursos de especialização, tanto do exterior quanto no Brasil.

Qual a diferencia entre iluminação e luminotécnica? Qual a diferença entre lighting design e architectural lighting design? Qual a profissão daquele que realiza projetos de iluminação? Qual órgão a regulamenta?
Gustavo Adolfo Meincke
Arquiteto
Blumenau - SC


Suas perguntas focalizam o âmago de nossa profissão no momento atual. Parabéns! Em primeira instância não existe total consenso nos conceitos deste tema e, ao mesmo tempo, as definições não estão totalmente sacramentadas.
Por praticidade vou inverter a ordem das respostas. O órgão que deveria regularizar, já que até agora não está, sem dúvida é o CONFEA e, claro, com a participação dos CREAs e consultando aos órgãos de classe realmente representativos, se é que eles existem. Dessa forma não está definida a profissão que tenha como incumbência o projeto de iluminação ou o projeto luminotécnico, que, ainda que com sobreposições, não são a mesma coisa como veremos no final.
A diferencia entre lighting design e arquitectural lighting design, apesar de serem utilizados indistintamente, é simplesmente que a última, como seu próprio nome o indica, tem como objeto o elemento arquitetônico. Desta forma, tomando ao pé da letra, o primeiro conceito deveria ser mais amplo, ou seja, o iluminamento da arquitetura e também de tudo o que não é arquitetura. Em nosso país usamos mais freqüentemente lighting design, e lógico que em 99% dos casos, interagindo com o espaço arquitetônico construído.
A questão mais importante, que continua dividindo as opiniões dos que atuam nesta área, reside na diferença entre iluminação e luminotécnica. Para muitos, ainda, a iluminação do espaço construído depende de um atributo exclusivamente artístico, ou seja, atrelado a um “dom”, que está totalmente afastado de padrões de projetos e conceitos físicos, biológicos, fisiológicos, psicológicos, matemáticos, geométricos, meteorológicos, etc.
Desta forma, acredita-se que a habilidade do uso da luz num projeto arquitetônico por um lighting designer surge espontaneamente como o uso das tintas por um pintor, ou do lápis por um desenhista, ou das notas por um compositor. Porém, as exigências cada vez mais rigorosas em termos quantitativos, qualitativos, distributivos, de adequação à tarefa, e mais recentemente, avaliativos, provenientes dos novos paradigmas de conforto visual, foto-biologia, foto-psicologia, eficiência energética, e, primordialmente, sustentabilidade, fazem que se transcenda o aspecto puramente criativo para se fazer uso de técnicas adequadas, dando lugar assim ao conceito mais amplo da luminotécnica.
Veja que desta forma não se nega a importância da “concepção” do aspecto criativo e artístico, que é o que diferencia um mesmo projeto de dois lighting designers diferentes, porém torna necessária a validação do projeto com técnicas de cálculo. Técnicas estas que foram originalmente aplicadas manualmente e, depois, com a crescente complexidade das variáveis e o advento dos recursos computacionais acessíveis ao grande público, transformadas em softwares de cálculo e simulação luminotécnica que é nossa realidade atual.

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