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:: Fonte: Revista Lume Arquitetura - edição número 18

Graham Phoenix
Com a palavra, o presidente da IALD
Por Maria Clara de Maio


Em outubro do ano passado, o lighting designer Graham Phoenix, então presidente eleito da IALD - International Association of Lighting Designers, veio ao Brasil participar de um encontro promovido pela AsBAI - Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação. Pela primeira vez no país, apesar da breve passagem, Graham gentilmente cedeu esta entrevista à Lume Arquitetura, que contou com a preciosa colaboração de Melissa Stears, arquiteta de iluminação brasileira que trabalha em sua empresa de projetos e consultoria de iluminação, a Lightmatters.
Impressionado com o crescimento do universo do lighting design no Brasil, e com a iniciativa da Asbai em promover a qualificação dos profissionais e a expansão da associação, Graham ficou muito satisfeito com o que encontrou aqui. Porém, revelou que os problemas enfrentados pela jovem profissão no Brasil não diferem daqueles existentes nos outros continentes. Conheça, a seguir, um pouco de sua história, de suas idéias sobre luz e iluminação e sua missão à frente da IALD.


Lume Arquitetura: Como foi seu ingresso na área de lighting design?
Graham Phoenix: Estava trabalhando no teatro como "gerente de palco", quando decidi entrar para área de lighting design. Queria me envolver mais com a parte criativa da produção de um show. Iniciei como "eletricista de teatro" e comecei a estudar as produções de vários designers de iluminação cênica. Comecei a produzir minhas próprias idéias, baseadas nas criações de outros designers, e logo me vi sentado à mesa de produção com diretores famosos como Jonathan Miller. Trabalhando com a luz, fui entendendo sua tridimensionalidade e fluidez. A luz está sempre se transformando, ora em suas cores, ora em suas direções e intensidade. Nunca é estática e era sob esses aspectos que eu tentava criar uma luz no palco.

Lume Arquitetura: Você trabalhava em Londres?
Graham Phoenix: Em Londres e em todo o país. Eu trabalhava em óperas e dramas e, basicamente, qualquer tipo de iluminação que aparecia, até mesmo em concertos e shows. Após meu casamento, minha visão da carreira mudou quando começamos a ter filhos. Percebi que não poderia ficar trabalhando no teatro e precisaria fazer algo diferente.

Lume Arquitetura: Por que?
Graham Phoenix: Porque era muito ausente, nunca ficava em casa. Na época estava trabalhando numa ópera e as turnês duravam 6 semanas. Isso não era um problema enquanto minha esposa também trabalhava na BBC, mas quando ela parou para ficar em casa com nossos filhos, senti que precisava ficar mais com eles. Então, percebi que poderia reutilizar minha aptidão em iluminação cênica em iluminação para arquitetura. Naquela época, essa mudança não era tão comum quanto é hoje.

Lume Arquitetura: Por que você acha possível fazer essa mudança? Por que iluminação de arquitetura é um mercado maior e mais amplo também na Inglaterra?
Graham Phoenix: Isto é verdade, esse é um mercado maior. Criar lighting design para arquitetura pode ser um choque cultural para quem vem da iluminação cênica, porque o que você cria fica registrado "em pedra". Como lighting designer arquitetônico, freqüentemente você tem que imaginar seu projeto dali a três anos, normalmente projetando somente em papel, sem poder sentir o espaço fisicamente. Na iluminação arquitetônica, você não tem a chance de mudar as luminárias de posição como no teatro. Alguns lighting designers cênicos não conseguem fazer essa transição por causa dessas diferenças. Somente após muito tempo consegui trabalhar somente como lighting designer para arquitetura. Primeiro trabalhei na administração de um fabricante, depois numa revendedora, fazendo projetos para três filiais do sul da Inglaterra. Em média, eu realizava de três a quatro projetos por dia enquanto trabalhava lá. Isso me ensinou a trabalhar e ter a raciocínio rápido.

Lume Arquitetura: Qual o fator mais importante para se entender a luz?
Graham Phoenix: É entender sua qualidade de substância tridimensional. Isso é o que se aprende no teatro. Fora do teatro é difícil ganhar essa experiência. Entender como ela vem de direções diferentes, tem características diferentes, pode ser sutil ou nítida, que possibilita cores e texturas diferentes... É saber "brincar" com essas diferentes qualidades.

Lume Arquitetura: Você quer dizer, entender como essa ferramenta funciona e, então, como equipamentos que a produzem podem ser úteis?
Graham Phoenix: Sim, o problema é que muita gente utiliza o equipamento como a ferramenta, para depois ver o que podem criar com aquilo. Quando se vem da origem que eu vim, da iluminação cênica, você sabe o efeito que quer produzir e somente aí é que procura o equipamento adequado. Lightfair, Light+Building Frankfurt e showrooms de fabricantes são locais onde você pode ver o que o mercado oferece. Na iluminação arquitetônica existe muita ênfase no equipamento propriamente dito. Para mim, iluminação é sobre emoções, sobre tons sutis de cor e não sobre a cor, sobre direcionamento e as sombras criadas, sobre todas essas qualidades sutis. Vejo a iluminação de uma maneira tridimensional, tento projetá-la em 3-D na minha cabeça.

Lume Arquitetura: Você acha que isso pode ser chamado de talento?
Graham Phoenix: Talvez seja talento, talvez experiência, mas no final é apenas sobre o que vemos. Todos poderiam abrir os olhos, olhar ao seu redor e ver o que eu vejo. De alguma maneira vejo diferente. Muita gente olharia para este bar e acharia apenas um lindo bar [a entrevista foi realizada no Bar Original, no bairro de Moema, em São Paulo]. Vejo além de sua fachada , vejo a estrutura de luz e sombras e como isto foi criado. Estou acostumado a ver as coisas de uma forma diferente, tenho me treinado há anos para captar este jogo de luz e sombra. Quando vejo fotos, desenhos e quadros, sempre olho para ver como a luz foi utilizada, tanto a natural quanto a artificial. Muitos bons arquitetos pensam em iluminação somente através dos equipamentos, mas alguns vêem a luz propriamente dita também. Eles não são lighting designers, eles não poderiam projetar luminárias, mas sabem o que vêem e conseguem ver o que a luz pode fazer nas superfícies e no espaço.

Para ver a entrevista completa, solicite o exemplar