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Opinião
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Verdades e Versões
Em Iluminação cada caso é um caso
Por Maria Luiza Junqueira da Cunha
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Reza
um sábio dito popular chinês de milhões de anos: "não
existem verdades, mas sim versões". Podemos, com tranqüilidade,
utilizar esta afirmação para a iluminação, pois cada
caso é um caso.
Trabalhamos os espaços,
inicialmente, conforme um layout proposto e, a partir
daí, vão surgindo as necessidades do cliente, suas preferências,
suas dificuldades físicas e/ou financeiras, para definir
a localização dos pontos de iluminação e a especificação
das luminárias, lâmpadas e acessórios.
Na qualidade de
designer de interiores e consultora luminotécnica, posso
dizer, com segurança, que a iluminação tem o poder de
transformar ou arrasar com o ambiente, se não for dimensionada
com propriedade. A relação entre lúmens e lux adequados
ao espaço, seja ele residencial ou comercial, como um
escritório ou uma clínica, é extremamente importante
para a funcionalidade, o conforto e, muitas vezes, para
o bemestar e a produtividade.
A arquitetura e
o design representam tudo aquilo que a natureza não
conseguiu completar. E é a luz que permite a flexibilidade
para se acentuar seus pontos e seus espaços, revelando
os detalhes que fazem a diferença.
Com o avanço - veloz!
- da tecnologia, vão surgindo recursos e novidades,
atreladas às necessidades advindas de pesquisas, dúvidas
e divagações dos profissionais das áreas envolvidas
com o mundo da praticidade e do sonho. Entretanto, é
preciso estar atento. A tecnologia está aí, disponível,
rápida, mas precisamos saber utilizá-la, explorando
ao máximo suas vantagens. Isto nem sempre é tarefa simples
e demanda conhecimento. Muito conhecimento.
No universo da iluminação,
o advento da lâmpada dicróica e seu uso indiscriminado,
por exemplo, gerou a premente necessidade de orientação,
de aprimoramento de informações para os profissionais.
Todo espaço era iluminado com dicróicas. Era moda. Critérios
fundamentais do lighting design e da luminotécnica eram
esquecidos.
Outro caso exemplar,
que não necessariamente revela do mau uso da tecnologia,
diz respeito à drástica redução do consumo de energia.
Imposta ao povo brasileiro em virtude da falta de chuvas
e de investimentos por parte do governo, esta redução
afetou diretamente a iluminação, gerando injustamente
- sob determinados conceitos - uma vilã: a lâmpada incandescente.
O racionamento, de certa forma, foi benéfico para conscientização
popular sobre o uso adequado de lâmpadas, como também
dos eletrodomésticos. O mais importante, entretanto,
foi passar a mensagem do poder e importância da iluminação
correta e adequada, de sua eficiência, e tudo que se
pode extrair dela.
Há de se reconhecer
que, para cada versão de lâmpada e de luminária, uma
verdade se cria no espaço. E que luminárias, plafons,
spots, embutidos com louvers parabólicos antiofuscantes,
em conjunto com estas lâmpadas, se transformam em ferramentas
cujo principal objetivo é construir o conforto visual,
obter ganho de luminosidade e prover de estética o ambiente.
Na iluminação devemos
evidenciar a luz e não mostrar a lâmpada. Devemos explorar
a sua função e fazer com que as pessoas "sintam" o seu
efeito. Para isso, é preciso camuflar a indispensável
lâmpada em luminárias cujo design é revelado por sua
luz, lembrando sempre que, nos projetos de arquitetura,
deve-se explorar a luz natural em todo o seu esplendor.
Na sua impossibilidade, é a luminotécnica que se faz
necessária.
Maria Luiza Junqueira é lighting designer,
titular do M Light Iluminação & Projetos.
E-mail: malujunqueira@terra.com.br
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