Opinião

Iluminação Residencial

Luz e bem-estar para ficar em casa




Por Edson Veronese


      A cada dia temos mais e mais pessoas – sejam profissionais da arquitetura e decoração ou simplesmente simpatizantes da arte de iluminar – percebendo a iluminação como uma forte ferramenta de comunicação, estética ou como forma de despertar sensações no ser humano. Este avanço vem se dando intensamente devido ao constante aumento na opção de produtos disponíveis, no suporte oferecido pelos fornecedores, nas condições de capacitação profissional e no acesso à informação. Esta ampla abertura de mercado torna necessário, mais do que nunca, uma análise sobre o objetivo real da iluminação num ambiente.
      No caso de espaços comerciais, indústrias e hospitais, por exemplo, existem normas e requisitos a serem seguidos com maior rigor. Entretanto, quando entramos no campo da iluminação residencial, além dos critérios técnicos e estéticos, é preciso especial atenção ao aspecto psicológico. Como em qualquer outro tipo de situação, temos que analisar o partido arquitetônico da obra e a arquitetura de interiores para definirmos a proposta estética do projeto luminotécnico, detalhes a serem valorizados, necessidade do uso de iluminação natural e/ou artificial... Tão importante quanto esta análise, entretanto, é o conhecimento sobre o perfil das pessoas que vão ocupar, usar a residência. Temos que entrar no universo desses moradores e priorizar seu bem-viver como diretriz de projeto.
      Moradores das grandes cidades vêm transformando suas residências em locais de lazer, com ambientes integrados, preparados para receber convidados com maior freqüência e conforto, seja pela questão da segurança ou pelo fato de que há uma infinidade de recursos, atualmente, para que “ficar em casa” venha a se tornar um grande programa. Para realizarem este objetivo, contratam profissionais especializados, entre eles, lighting designers. Embora esses moradores, muitas vezes, tenham uma noção do que gostariam de ver em suas casas, cabe ao lighting designer traduzir estes desejos em um projeto cujo resultado atenda às expectativas deles. Há que se respeitar o estilo e preferência de cada cliente, nunca deixando, entretanto, de dar a ele a devida orientação e sugestão, para se evitar, principalmente, o excesso de pontos de luz – que por vezes acabam nem sendo usados – e um desnecessário consumo de energia. Temos que pesquisar as fontes mais eficientes, aplicá-las com bom senso e equilíbrio, para que a iluminação ofereça conforto, beleza, segurança e condições para o desempenho de tarefas.
      As residências de hoje são muito mais do que simples moradias. São o que se pode chamar de ambientes multimídia, onde as pessoas trabalham, estudam, se divertem. A tendência é que este modelo de vida passe a ser cada vez mais usual, uma vez que a tecnologia facilita a locomoção das pessoas e a execução de suas tarefas, organiza o caos do mundo exterior e as protege do desconhecido. Por isso, quando pensamos na iluminação de uma residência, temos que estar cientes de que nossa tarefa não é a de, simplesmente, criar um ambiente iluminado que siga algum modismo fazendo-o parecer uma loja ou galeria de arte. O que está em nossas mãos é a responsabilidade de garantir o bem-estar de indivíduos. Afinal, no mundo moderno, o ambiente doméstico é o lugar onde as pessoas menos passam seu tempo, e, justamente por isso, quando podem desfrutar dele, elas querem sentir-se, literalmente, em casa!


Edson Veronese é arquiteto, consultor de iluminação, estabelecido em Curitiba-PR, com vasta experiência em projetos e especificações, tendo participado de vários cursos e seminários na área e trabalhado por 20 anos na Philips do Brasil Ltda - Lighting, ocupando até o ano de 2005 o cargo de Gerente Regional Sul.

(edsonveronese@gmail.com)