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Opinião
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Boas Soluções e Boas Intenções
A Iluminação na Campinas Decor 2006
Por Marcos Castilha
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Recebi com um misto de satisfação e
curiosidade o release sobre a exposição de
arquitetura de interiores Campinas Decor 2006,
que a equipe de Lume Arquitetura me enviou,
juntamente com o convite para escrever a
respeito. A chamada dizia algo como “IIuminação
é a atração na Campinas Decor 2006”.
Satisfação em atestar que a iluminação tem
sua importância reconhecida e curiosidade por
se tratar de um evento que conta com a
participação de poucos lighting designers.
Tive o prazer de participar desta edição
elaborando o projeto de iluminação do espaço “restaurante”, para
a arquiteta Maura Gadioli e a decoradora Guacyra Bonafé. Pude
observar vários espaços com soluções interessantes de
iluminação. De acordo com a “ficha técnica”, raríssimos ambientes
mencionam a participação de algum lighting designer, mas temos
créditos em profusão para fabricantes e revendedores de
luminárias e materiais elétricos. Subentende-se que as soluções
luminotécnicas são propostas pelo profissional que projetou o
espaço, com eventual consultoria técnica do fornecedor do
equipamento. Na grande maioria dos casos apresentados, o
resultado foi muito bom.
A arquitetura de interiores brasileira é uma atividade sólida e
vemos que os profissionais acordaram há mais tempo para a
importância da iluminação na configuração de um espaço. Ao
invés de “medir na planta” e dizer que um ponto central de
potência X dará uma quantidade Y de luz, existe há tempos nestas
esferas uma “consciência - inconsciente” do toque de suavidade
e cromaticidade que será dado, por exemplo, por um grande
difusor pendente sobre a lateral de um sofá, que iluminará a leitura
naquele ponto e dará uma aura suave ao ambiente...
complementando a combinação harmônica de texturas e cores
de objetos, tecidos, tapetes etc. Por que não dizer, escolher cores
e texturas também é “iluminar”. Já visitei algumas tantas
exposições do gênero que apresentaram boas soluções de
iluminação. E felizmente, em 2006, alguém diz com ênfase: ”Puxa,
olha só como a iluminação é importante”.
Vamos às boas soluções da mostra. A luz de destaque foi
dosada na medida certa com a luz difusa, esta última obtida por
meio de sancas ou por luminárias ou decorativas. A luz difusa
muitas vezes cromatizada por cúpulas ou por cores na superfície
rebatedora, propiciou clima adequado para estares em geral.
Lâmpadas halógenas e incandescentes
reinaram soberanas nas soluções adotadas.
Fluorescentes se restringiram, na maioria dos
casos, às sancas ou rasgos de luz. A fibra ótica
apareceu em uma ou outra solução de destaque
e, mais raramente ainda, os LEDs. Estes,
só nos já difundidos balizadores de chão.
Arandelas lineares embutidas foram empregadas
em profusão, equipando de corredores
a dormitórios. Merece destaque o “suíte do
bebê” (Renata Assaf, Cláudio Jaloto e
Antonella Tavares). Uma solução de iluminação
de grande beleza e muitíssimo adequada ao programa: lâmpadas
tipo balão e mangueiras de luz embutidas em diversos planos,
formas e nichos, com o auxílio da “dimmerização” baixa, banhavam
o ambiente com uma luz de suavidade raramente vista,
integrada com o desenho do mobiliário.
Agora, às boas intenções. Rasgos de luz e rebaixos para
ocultar spots foram muito presentes nos espaços. Preocupação
com o ofuscamento? Talvez, mas isso nem sempre garante o
resultado. Mesmo com recuos as “baterias” de embutidos de
dicróicas sobre as cabeceiras das camas podem ser interessantes
para quem está lendo, mas são muito incômodas para quem está
ao lado tentando dormir.
Nos jardins, à parte o harmonioso uso dos balizadores em
cerâmica, o ofuscamento foi um problema ante a opção pelos já
conhecidos espetos de lâmpadas PAR. A locação e orientação
inadequada deste tipo de luminária, sem recurso antiofuscamento,
tornou desconfortável percorrer algumas áreas à noite. Creio que
na ausência de nosso “big-brother sol”, existam alternativas de se
iluminar um jardim que não seja colocar um espeto no pé de cada
planta. As grandes palmeiras existentes foram iluminadas,
mas nem sempre com a luminária adequada. Em alguns casos,
luminárias de facho muito aberto e escolha inadequada de lâmpadas
resultaram em ofuscamento, consumo desnecessário de
potência e não-obtenção do efeito desejado de destaque da copa.
Algumas vezes, nem do caule!
Ângulo, intensidade correta, controle de ofuscamento, etc. Creio
que a parceria com um lighting designer poderia transformar boa
intenção em efetiva expressão. Está feito o convite para 2007.
Marcos Castilha é arquiteto e lighting
designer, titular do escritório Castilha Iluminação.
(macasti@terra.com.br)
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