Opinião

Latitude 60º

História de um mestrado em Estocolmo




Por Rodrigo Malgor Roveratti


      Latitude 60º. Essa é a posição de Estocolmo no globo terrestre, cidade de arquitetura, costumes e valores muito tradicionais. Porém, é dentro desta mesma cidade que se revela um espírito novo de invenção e reinvenção no estudo da luz. É no curso de Ligthing Design da universidade KTH(Instituto Royal de Tecnologia) que a percepção e a consciência visual para reconhecer os espaços através da luz são conceitos fundamentais. Foi lá que estudei, de agosto de 2005 a novembro de 2006.
      Como percebemos o espaço através da luz. Esta é uma das principais perguntas que a universidade nos faz refletir. Intuição, seria a resposta mais adequada, especialmente para quem é ou foi estudante da KTH. E, para que se chegue a essa resposta, é necessário ter tido a experiência cultural e educacional da luz. A intuição nos direciona a agir espontaneamente e naturalmente sobre os efeitos luminosos, acredito.
      Na KTH, diferentes áreas da iluminação são estudadas tanto no aspecto prático quanto no teórico. Projetos reais são desenvolvidos junto com a comunidade, prefeitura e empresas privadas, com o objetivo de educar o estudante e a população em relação à luz artificial e natural.
      Experimentar o experimental é talvez a filosofia mais aplicada dentro do ensino de lighting design na KTH. A iluminação só se aprende no momento em que a escuridão domina o espaço, e as luzes se mostram através do impacto visual e efeitos luminosos. Neste momento conseguimos mensurar sua importância, podemos pensar no enorme processo a ser realizado até o momento de acender as luzes. Este processo nasce na escolha de luminárias, lâmpadas, refletores, tecnologias, efeitos... Olhar o espaço com os olhos mais sensíveis em relação à luz artificial, experimentando diversas possibilidades e conceitos para chegar a um resultado nunca antes obtido, para mim, particularmente, é a lição mais importante e também divertida de experimentar.
      Para os lighting designers de todo o mundo, especialmente aqueles que decidiram se dedicar à área, estudar no exterior pode significar um salto no conhecimento e na carreira, e a minha experiência na KTH faz com que eu a recomende. O convívio com profissionais extremamente competentes em estudos sobre iluminação, como Ian Ejhed e Agneta Ejhed, respectivamente professor e coordenadora do curso, é um dos pontos que destacam o mestrado de Lighting Design da universidade.
      Os projetos são abertos e discutidos em sala de aula, entre professores e alunos, com o auxílio de equipamentos audiovisuais que tornam as aulas muito interessantes.
      Além disso, o contato com pessoas de todas as partes do mundo me trouxe experiências que vão muito além da capacitação. Aprendi sobre artes, cinema, arquitetura, enfim, coisas que contribuem com a minha formação pessoal. Nada como poder, num ambiente marcado pelo entusiasmo, dedicação e partilha da carga cultural de cada um, conhecer os aspectos relevantes do lighting design nos dias de hoje.

Rodrigo Malgor Roveratti é arquiteto, formado pela PUC - Campinas, com especialização em Iluminação pela Universidade de Tecnologia de Queensland, em Brisbane, Austrália, e mestrado pela KTH, em Estocolmo, Suécia. Atualmente está se estabelecendo no Brasil.

E-mail: roveratt@claretianas.com.br