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Opinião
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Eficiência energética
Eis o bonde da oportunidade
Por Wilson Teixeira
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Até parece que foi coisa combinada. Simultaneamente à publicação do Relatório da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, foi divulgado no Brasil o texto final da Regulamentação para Etiquetagem Voluntária de Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais e Serviço e Públicos, referente ao artigo 4º da Lei 10.295, de 17 de outubro de 2001, que dispõe sobre a política nacional de conservação e uso racional de energia.
O mecanismo de avaliação da conformidade de eficiência energética dos edifícios, adotado pelo governo brasileiro, será a etiquetagem, no âmbito do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), coordenado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).
Com um atraso de cerca de 15 anos em relação ao EPACT ´92, norte-americano, e um pouco mais em relação à primeira regulamentação européia e à paquistanesa, estamos nos preparando para subir mais um degrau rumo à modernidade ambientalmente consciente. Embora tardio, o momento não poderia ser mais adequado, pois a consciência verde é, sem dúvida, a bola da vez em todo o mundo, e assim deverá permanecer por um bom tempo.
O período de aplicação voluntária da regulamentação será de cinco anos, tornando-se compulsória a partir de 2012. Entretanto, há claros sinais de interesse de sua adoção sistemática em vários segmentos da economia. A necessidade de uma certificação brasileira, capaz de separar o joio do trigo, era tão latente, que alguns incorporadores arrojados, já buscavam alternativas para tornar “verdes” seus empreendimentos no exterior, como, por exemplo, o selo Green Building do Leadership in Energy and Environmental Design (LEED).
A classificação dos edifícios brasileiros se baseia na média da pontuação alcançada na avaliação dos seguintes quesitos: sistema de iluminação, sistema de ar-condicionado e envoltória da edificação. Desta forma, o bom desempenho de um dos quesitos, isoladamente, não será suficiente para receber a classificação máxima. Mas, o mau rendimento de um deles será suficiente para derrubar a o resultado final e malograr as aspirações de um empreendedor que pretenda valorizar seu investimento, com o selo.
Integra também o rol de exigências, a contribuição de profissionais especializados nos mecanismos que promovam a eficiência energética nas construções. E, à semelhança do que já vem ocorrendo em outros países, nos trilhos dessa modernidade ambientalmente consciente, circulará um bonde da oportunidade. Depende de cada um, preparar-se para pegar ou não esse bonde, pois, para a obtenção dos níveis mais elevados de classificação, haverá a necessidade, por exemplo, de simulação computacional com programas que atendam a ASHRAE Stardard 140.
Como previu Alvin Toffler,
em seu livro Powershift, cada vez mais, o mundo estará
dividido entre os rápidos e os lentos. Aos retardatários
no processo de etiquetagem do nível de eficiência energética
de edifícios restará o consolo de ficar a pé, vendo
o bonde da oportunidade desaparecer na curva da primeira
esquina, levando os que foram mais ágeis.
Wilson Teixeira é consultor de performance energética em edificações.
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