Opinião

Lighting Fair Hong Kong 2007

A indústria da iluminação chinesa a todo vapor




Por Fernando Bottene


      Ao fazer uma viagem a uma feira na China não tem como deixar de se sentir um pouco Marco Polo. Neste caso, as especiarias em questão chamam-se LEDs. Fui em busca de novidades e oportunidades de negócios ligados a essa tecnologia em Hong Kong, na Lighting Fair 2007, a maior feira de iluminação da Ásia e uma das maiores do mundo, realizada de 28 a 31 de outubro.
       Logo ao chegar àquele lugar percebi que Hong Kong tem fascínio por luz. Todas as noites, a partir das 20 horas, acontece na orla marítima a chamada “sinfonia da luz”: um a um, os edifícios vão sendo acesos ao ritmo de uma sinfonia. Um show, que pode ser parcialmente visualizado no endereço eletrônico www.vialuz. net/lightingfair2007.
       O pavilhão da feira, o Hong Kong Convention and Exhibition Centre, situado no centro da baia, na região central de Hong Kong, é grandioso, como tudo hoje na China. Havia LEDs para todos os tipos de aplicações, que até a mim, que acompanho os avanços tecnológicos do setor há anos, surpreendeu.
       Na feira, pude constatar que os LEDs para iluminação pública são uma realidade na China. Nas ruas de Pequim, eles estão sendo aplicados atrelados a painéis solares. No entanto, apesar da alta tecnologia, as empresas estruturadas são as que já estabeleceram relações comerciais com os mercados europeu e norte-americano, tendo, portanto, preços também internacionalizados, logo, pouco competitivos para nós.
       São empresas reconhecidas pelos seus produtos e serviços no setor de Iluminação, que têm experiência em negociação e qualidades que elevam a confiabilidade perante os interessados em estabelecer negócios, porém elas têm interesses ambiciosos, que excluem os pequenos investidores.
       Há também empresas cujos preços são tentadores, porém, pouco confiáveis. Elas atraem o mercado consumidor pelo baixo preço e pela facilidade de negociação, porém sem uma garantia de compra. Traduzindo: é comprar no escuro. Além disso, há questões que são importantes fatores de risco: mercado desconhecido, distância geográfica e diferença cultural.
       Ruim para quem buscava novos negócios naquele país; bom para as indústrias brasileiras, que podem avançar no desenvolvimento desta tecnologia e ganhar mercado, antes que eles se tornem mais atraentes.
       Competir com a China hoje, de um modo geral, não é tarefa fácil. Nossos volumes de compra e consumo de equipamentos de iluminação ainda são muito pequenos se comparados à quantidade que hoje eles trabalham. Para se ter uma idéia, só uma empresa que contatamos vai vender, nos próximos dois meses, 300 containeres de microlâmpadas para o Natal norteamericano.
       A experiência me trouxe uma certeza: quando os chineses avançarem no universo da iluminação e em novos mercados, a negociação com eles não vai ser nada fácil.

Fernando Bottene é arquiteto e diretor-presidente da Via Luz Iluminação.
E-mail: contato@vialuz.net