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Opinião
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Ilume
Prazer em paulistanamente conhecê-lo
Por Walter Bellato
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O uso da luz artificial alimentada pela
eletricidade, em São Paulo, veio da experiência
da rua para dentro de casa. A “Gaz
Company” inglesa teve, a partir de 1872, o
direito de exploração dos serviços de iluminação
pública a gás na cidade. A primeira
disputa de negócios que a “Light” canadense
travou na busca de mercado para
sua produção de energia elétrica foi com a
empresa de gás, justamente na iluminação
das vias públicas. Só mais tarde a “Light”
conseguiu convencer empresas e famílias
a usufruírem da inovação.
Paradoxalmente, hoje é no mínimo curioso observar que, tal
qual o fator determinante para o sucesso do mercado de luxo
no nosso país, também o direito à iluminação pública, na sensibilidade
do indivíduo urbano, parece ser fruto de indulgência. O
merecimento ou o direito parecem estar muito acima do dever,
quando a reflexão se dá no plano da cidadania.
No início de 2007, tendo sido o sexto homem nos últimos
dois anos precedentes a receber a delegação para gerir a rede
de iluminação pública de São Paulo, as duas constatações que
mais me incomodaram, de primeiro momento, foram a pouca
atenção a uma cultura de soberania e a difícil rastreabilidade e
validação de informações técnicas que permitissem, ao menos,
compreender os caminhos e descaminhos da missão pública
que se impunha, de iluminar os logradouros de uso comum na
cidade.
Como se fosse um processo de mútua aculturação, ao
mesmo tempo em que, naquele momento solitário, tinha que
construir uma relação de confiança, também tinha que buscar,
em um primeiro diagnóstico, os sentidos e as razões de ser do
departamento.
Na essência de um provocativo artigo científico de 1937
que perguntava “por que as empresas existem”, que fez render
um Nobel ao economista Ronald Coase, foi relevante conseguir metodizar a ferramenta e definir três eixos de
ação sobre o sistema de iluminação pública,
consubstanciados em verbos no infinitivo:
manter, eficientizar e ampliar. São três eixos
estratégicos, no mais estrito sentido acadêmico,
do que é essencial, imprescindível
mesmo.
Em 1940, São Paulo já se orgulhava
de ter um nível de iluminação sobre suas
vias duas vezes superiores aos das cidades
européias da época. Hoje, com aproximadamente
560 mil pontos de luz, 17 mil km de
cabeamento (quase a semicircunferência
da terra) e um consumo mensal de 50 GWh, além de vários e
extensos túneis, a cidade logra ter o que é tido como o maior e
mais complexo parque de iluminação pública do mundo.
Não obstante ter o Departamento de Iluminação Pública se
tornado um organismo em movimento, transparente e confiável
aos olhos de tantos, restringir-se, como historicamente se tem
feito, ao uso da luz no seu viés funcional, ou seja, a luz para
segurança do indivíduo e para segurança viária, outra vez nos
incomoda.
A cidade que se autovocacionou para o turismo de negócios
e tem objetivamente nele uma rica fonte de geração de emprego
e renda, pede pelo uso da luz, a destacar seus traçados de
encanto, e fazendo mais bela e aconchegante sua paisagem
urbana noturna. Conceber um plano temático específico de
iluminação e atrelá-lo ao Plano Diretor Estratégico do Município
de São Paulo, parece-nos uma ação cada vez mais necessária,
natural e própria.
De resto, é encarar cotidiana e entusiasticamente os desafios
do nosso Departamento de Iluminação Pública, o ILUME,
e festejar cada momento, vivendo esta São Paulo cosmopolita,
linda e irremediavelmente generosa.
Walter Bellato é diretor geral do ILUME desde Janeiro de 2007.
Tem formação nas áreas de Engenharia, Arquitetura, Administração e Sociologia Política..
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